sábado, 9 de outubro de 2010

Quanto te vi, uma árvore de frutos podres cresceu em mim. Os galhos perfuraram minhas costelas e atravessaram a pele, o sangue se esparramou pela minha barriga e alcançou os dedos dos pés. Um pequeno reluzente vermelho lago formou-se ao meu redor, onde moravam um tubarão (que comeu meu menor dedo do pé esquerdo) e um tenso jovem indefeso peixe de duas cores. Eu não me importava. O sofrimento era a minha opção enquanto o amor não dormia. Então as raízes se entrelaçaram em minhas veias e as esmagaram como cobras católicas carinhosas calculistas calcificadas. Já não podia respirar graças aos dois galhos secos que arrombavam minhas narinas, que já estavam grandes como brancas bolas de golfe. Embora tudo fosse vermelho, o que eu enxergava era de um azul infantil, porque era isso que eu era. A dor era o melhor caminho para paz. E eu só pensava que precisava honrar aquele sentimento que fora inventado por minha criança. Quando começou a nevar a árvore já não cabia em mim e, de repente, a árvore era eu. Era eu! A árvore mais triste já plantada.

8 comentários:

Laryssa Wannelle disse...

As palavras me arrepiaram! Virou meu 2º texto predileto :). Parabéns Johnny.

Rai disse...

esse eu gostei

Stela disse...

Nossa.. eu já até te falei isso, não sei se você lembra, Johnny e seus textos maravilhosos!

ps: queria tanto te encontrar de novo quando fosse pro Rio, só pra conversar sobre textos, teatro e cinema!

@karenviana3 disse...

Estou adorando seus textos, e acabei de assistir a uns vídeos no youtube!
Parabéns, ahh já to te seguindo no trwitter!
rs

Igor Ercolani disse...

Lindos textos! Suas palavras me arrepiam! :)

Felipe Jalc disse...

é como se alguém pegasse meus sentimentos e pusesse num papel. Eu sei, isso é piegas, é clichê, dos piores, eu sei, mas nesse exato momento a árvore sou eu, a árvore mais triste já plantada...

Anônimo disse...

sinto falta dos teus textos, não vais voltar a postar?

Some Fool disse...

Vendo a vida desta forma, talvez seja bom você não postar mais nada. Talvez agora você esteja feliz.