domingo, 23 de agosto de 2009

Descobri que minha solidão não é uma fuga, é uma prisão. Descobri que sou feio, mas ainda mais quando olho pra dentro. Descobri que sou simples, mas só quando não posso ser complexo. Descobri que sou velho, mas só porque tenho medo da minha criança. Descobri que sou rio, mas que desejo muito ser mar. Descobri que sou seguro, mas só porque os outros me querem inseguros. Descobri que sou uma pena, mas só porque não posso ser a ave inteira. Descobri que sou um pequeno pedaço, mas só porque tudo é pequeno e tudo é pedaço. Descobri que sou dança e música, mas que isso tudo é. Descobri que sou sorriso, mas só porque o outro lado é encardido. Descobri que sou um caminho sem fim, mas que o fim nunca é fim. Descobri que minhas virtudes não são um presente, mas que são fardos a serem desenvolvidos. Descobri que sou o oposto do que sou, mas que isso ainda é tudo que alguém pode ser. Descobri que a vaidade é o medo de não ser único, mas que ser único vai alem do que possa ser refletido. Descobri que o silêncio não é uma resposta, é um medo. Descobri que meu pouco barulho não é pouco, nem é barulho, é só a minha maneira capenga de não ser. Descobri que Deus é tempo, mas que tempo não é um Deus. Descobri que angústia é ruim, mas que não tê-la é a morte. Descobri que o melhor dançarino é o mar, mas que sua platéia é ingrata. Descobri que pessoas precisam de pessoas, mas que eu, mais do que ninguém, não sabe lidar com essa verdade. Descobri que querer é bom, mas que não querer é ainda melhor. Descobri que o amor não pode ser descoberto, mas que isso me dá ainda mais vontade de amar. Descobri que o segredo é necessário, mas que o necessário nem sempre é a melhor opção. Descobri que a liberdade não é algo que se alcança, mas algo que se sonha. Descobri que, na verdade, nada se descobre, mas que a tentativa é bonita.

4 comentários:

Andrè Dale disse...

Pois é, né...

disse...

"Descobri que o amor não pode ser descoberto",mas sem mesmo descobri-los já o sentimos...Descobri que com suas palavras de acalento..refugio-me na minha liberdade,só que essa liberdade jamais existirá.Descobri que posso ser diferente,mas isso já se tornou normal e todo mundo de tão diferente se tornou igual...descobri que eu necessito do próximo,mas que pra mim,é difícil e imcompreendível aceitar.Descobri que pertenço à ou possuo uma força extraordinário e que as coisas conspiram ao meu favor,só que não chegou a hora de descobrir como.Descobri que descobrir e cobrir os objetos que me trazem nostalgia,de nada irá adiantar.Descobri que descobrir é inato à mim e sempre ei de descobrir o fardo que é existir sem cobrir os meus defeitos perante aos seus.

Ladies Night disse...

nossa

Thaís Tagliatella disse...

Passei o Domingo querendo ficar sozinha e sentindo uma falta tremenda de ter alguém ao meu lado. Contradiçao.
Encontrei esse texto por acaso, quando cansei de tentar descobrir o sentido das coisas, quando cansei de tentar descobrir porque sou tão fraca justo nos momentos em que eu mais preciso da minha força.
E foi ótimo, as palavras fizeram me bem, descobri várias coisas que já nem queria mais saber; Me senti tão próxima do ser que escreveu tudo isso, que algo me impulsionou a comentar.
Obrigada por me fazer sentir tão acalentada.