domingo, 14 de junho de 2009


VERMELHO

Primeiro preciso dizer que agora tudo é vermelho, embaixo é vermelho, o fogo da vela também, sem esquecer que dentro de mim o que corre também é vermelho, tão tão tão vermelho quanto a tinta de minha caneta ensanguentada. Se eu matar todos os homens do mundo, o mar de sangue que se formaria seria maior em litros do que todo o oceano? Ou não? Ou sim? Que todos morram para que eu, então, possa fazer minha experiência. Juro que escrevo num livro celeste para que os curiosos possam ler no diabo que os carregue. E assim ficarei só só sozinho sou zinho showzinho sonzinho. Bem mais sozinho que eu próprio trancado por mim mesmo em meu quarto. Serei feliz? Não sei, sei que serei sozinho e vermelho de solidão e saudade. Pra começar dançaria nu por aí, tão nu e crepitante quanto a chama da vela que vela meu pensamento. O pensamento. Tudo antes de ser é pensamento, mas o que é o antes do pensamento? Como chama? Pré-pensamento? Um pré pré pré prédio mal rascunhado do que será o que será. O pensamento é uma sacola biodegradável de referências anteriores e, portanto, uma reprodução sempre pessoalíssimo do que se quer passar. E quando sou confuso sou vermelho-vermelhíssimo, quando sou sexo sou azul-azulzíssimo e quando sou eu sou cor de pitanga pêssego transparente. Carrego no nó nu ni mim algo de fim previsível, tudo em mim é assim, como a trajetória de uma vela acesa. Começa, queima, derrete, goza, vermelha e morre. Puft! Paft! Peft! Pift! Sou um patife cor de menino maduro, cor do morango liso, cor da música clássica, cor de fígado transgênico transcendental transeunte. Sou chama.

Um comentário:

disse...

Sou fogo!Sou o vermelho da confusão e a dúvida que circuncisa o pensamento,ou pré pensamento que me ronda.